Hora de dormir II(pt 4)

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    Caio Hudson
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    Hora de dormir II(pt 4)

    Mensagem por Caio Hudson em Qui Mar 28, 2013 3:50 pm

    Eu gritei, e rapidamente meu irmão e minha mãe entraram no meu quarto, ligando as luzes, perguntando se tinha sido outro sonho ruim. Eu fiquei sentado sem falar nada, mal reconhecendo-os, olhando fixamente para a poltrona vazia.

    Eu fiquei naquele quarto poucos dias antes da gente se mudar repentinamente. Eu não vi mais nada nas noites seguintes, exceto pela ultima noite naquele quarto quando eu acordei sentindo algo respirando na minha orelha. Eu pulei da cama, ligando a luz. A respiração lenta rítmica de algo que não podia ser visto continuou, mais alto do que antes. Eu passei o resto da noite no sofá da sala de estar.

    Dois anos mais tarde, eu dormia profundamente na minha cama, em nossa nova casa. Não tinha havido nenhum outro incidente desde a mudança, e eu estava certo que tinha deixado para trás toda a estranheza que antes me atormentava, naquela casa comum suburbana.

    Eu, no entanto,tinha ganhado um presente de despedida. Meus torturadores (na minha opinião o observador da poltrona era uma diferente entidade do que do quarto alongado) tinham uma última surpresa reservada para mim. Como um animal alegando seu território, eu não estava completamente fora de seus alcances.
    Por um último aterrorizante momento, eu senti a presença daquelas... coisas. O som deles dormindo ficaram adormecidos desde os últimos dois anos de experiência. Eu estava dentro de um terrível pesadelo e de repente, alegremente, acordei, são e salvo na minha cama. O quarto estava mais escuro do que o de costume. Eu suspirei aliviado, desses suspiros de fim de pesadelos.

    Mas o quarto estava escuro demais.

    Eu não podia ver nada, como se algo tivesse sugado toda a luz do quarto. Eu ri para mim mesmo, percebendo que eu devia ter puxado o meu cobertor para cima do meu rosto enquanto eu estava dormindo. A manta de algodão parecia gelada contra meu rosto, mas o ar estava um tanto quente, quase sufocante.

    Quando eu estava para tirar o cobertor do meu rosto para pegar um pouco de ar fresco, eu ouvi: Pela última vez eu ouvi.

    O respirar rítmico do observador dos pés da minha cama.
    O medo me encheu, seguido de raiva e desespero. Porque eles não me deixavam em paz? Eu então fiz uma coisa muito fora do comum. Eu decidi falar com ele. Talvez a coisa não queria me machucar, talvez ele não tinha noção do terror que tinha me causado. Certamente um menino merecia um pouco de misericórdia, não é?

    Quando o respirar começou a ficar mais perto e mais alto, eu comecei a chorar. Eu conseguia sentir a presença da coisa do outro lado da coberta, sua respiração pairando sobre mim como um vento estagnado.
    Entre as lágrimas eu deixei sair três palavras, palavras que com certeza botariam um fim naquilo.

    "Pare, por favor."

    O respirar começou a mudar, ficou mais animado, de certa forma, mais rápido. Eu podia ouvir algo se arrastando perto de mim, ficando do meu lado. O respirar então se moveu, primeiro para o pé da cama, e então pelo quarto, depois pela porta, pelo corredor, e então se foi.

    Meio chorando, meio eufórico, eu fiquei deitado na escuridão, meu rosto ainda coberto pelo cobertor. Você pode considerar isso algum tipo de vitória, mas eu não considero. Se aquelas coisas eram reais, agora eu sei sem sombra de dúvida, que suas intenções não tinham sido mau interpretadas por mim, eles eram ruins, cheios de malícia. Eu normalmente nunca usaria uma palavra para descrever qualquer coisa, mas eles eram o mais perto de Mal que eu já vi em minha vida.

    Como eu sei isso? Eu vou te dizer como. Momentos antes do que parecia ser a coisa saindo da minha casa, algo fez pressão em cima de mim, empurrando o cobertos contra meu rosto com grande força. Eu podia sentir a mão enorme com dedos longos em volta do meu crânio, com suas unhas feito navalhas afiadas cravando na minha cabeça. Eu dei um jeito de escapar entre o espaço da cama e da parede, me rastejando e correndo, gritando para acordar minha família.

    Não se engane, aquela coisa da escuridão queria me sufocar, sufocar até a morte.

      Data/hora atual: Qua Ago 16, 2017 11:45 pm