Poemas do vento da morte:O corvo

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    James L Holig
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    Poemas do vento da morte:O corvo

    Mensagem por James L Holig em Qui Nov 21, 2013 4:30 pm

     por eu ter voltado vou colocar um do meu poemas preferido,
    do mestre do medo Edgar Allan Poe
    Em certo dia, à hora 
    Da meia-noite que apavora, 
    Eu, caindo de sono e exausto de fadiga, 
    Ao pé de muita lauda antiga, 
    De uma velha doutrina agora morta, 
    Ia pensando, quando ouvi à porta 
    Do meu quarto um soar devagarinho, 
    E disse estas palavras tais: 
    "É alguém que me bate à porta de mansinho; 
    Há de ser isso e nada mais". 
    Ah! bem me lembro! bem me lembro! 
    Era no glacial dezembro; 
    Cada brasa do lar sobre o colchão refletia 
    A sua última agonia. 
    Eu ansioso pelo Sol, buscava 
    Sacar daqueles livros que estudava 
    Repouso (em vão!) à dor esmagadora 
    Destas saudades imortais 
    Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora, 
    E que ninguém chamará mais. 

    E o rumor triste, vago, brando 
    Das cortinas ia acordando 
    Dentro em meu coração um rumor não sabido, 
    Nunca por ele padecido. 
    Enfim, por aplacá-lo aqui, no peito, 
    Levantei-me de pronto, e "Com efeito, 
    (Disse), é visita amiga e retardada 
    "Que bate a estas horas tais. 
    "É visita que pede à minha porta entrada: 
    "Há de ser isso e nada mais". 

    Minh'alma então sentiu-se forte; 
    Não mais vacilo, e desta sorte 
    Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora, 
    Me desculpeis tanta demora. 
    "Mas como eu, precisando de descanso 
    "Já cochilava, e tão de manso e manso, 
    "Batestes, não fui logo, prestemente, 
    "Certificar-me que aí estais". 
    Disse; a porta escancar, acho a noite somente, 
    somente a noite, e nada mais. 

    Com longo olhar escruto a sombra 
    Que me amedronta, que me assombra. 
    E sonho o que nenhum mortal há já sonhado, 
    Mas o silêncio amplo e calado, 
    Calado fica; a quietação quieta; 
    Só tu, palavra única e dileta, 
    Lenora, tu, com um suspiro escasso, 
    Da minha triste boca sais; 
    E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço; 
    Foi isso apenas, nada mais. 

    Entro co'a alma incendiada. 
    Logo depois outra pancada 
    Soa um pouco mais forte; eu, voltando-me a ela: 
    "Seguramente, há na janela 
    Älguma coisa que sussurra. Abramos, 
    "Eia, fora o temor, eia, vejamos 
    "A explicação do caso misterioso 
    Dessas duas pancadas tais, 
    "Devolvamos a paz ao coração medroso, 
    "Obra do vento, e nada mais". 

    Abro a janela, e de repente, 
    Vejo tumultuosamente 
    Um nobre corvo entrar, digno de antigos dias. 
    Não despendeu em cortesias 
    Um minuto, um instante. Tinha o aspecto 
    de um lord ou de uma lady. E pronto e reto, 
    Movendo no ar as suas negras alas, 
    Acima voa dos portais, 
    Trepa, no alto da porta em um busto de Palas: 
    Trepado fica, e nada mais. 

    Diante da ave feia e escura, 
    Naquela rígida postura, 
    Com o gosto severo, - o triste pensamento 
    Sorriu-me ali por um momento, 
    E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas 
    "Vens, embora a cabeça nua tragas, 
    "Sem topete, não és ave medrosa, 
    "Dize os teus nomes senhoriais; 
    "Como te chamas tu na grande noite umbrosa?" 
    E o corvo disse: "Nunca mais". 

    Vendo que o pássaro entendia 
    A pergunta que eu lhe fazia, 
    Fico atônito, embora a resposta que dera 
    Dificilmente lha entendera. 
    Na verdade, jamais homem há visto 
    Coisa na terra semelhante a isto: 
    Uma ave negra, friamente posta 
    Num busto, acima dos portais, 
    Ouvir uma pergunta a dizer em resposta 
    Que este é seu nome: "Nunca mais". 

    No entanto, o corvo solitário 
    Não teve outro vocabulário. 
    Como se essa palavra escassa que ali disse 
    Toda sua alma resumisse, 
    Nenhuma outra proferiu, nenhuma. 
    Não chegou a mecher uma só pluma, 
    Até que eu murmurei: "Perdi outrora 
    "Tantos amigos tão leais! 
    "Perderei também este em regressando a aurora". 
    E o corvo disse: "Nunca mais!" 

    Estremeço. A resposta ouvida 
    É tão exata! é tão cabida! 
    "Certamente, digo eu, essa é toda a ciência 
    "Que ele trouxe da convivência 
    "De algum mestre infeliz e acabrunhado 
    "Que o implacável destino há castigado 
    "Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga, 
    "Que dos seus cantos usuais 
    "Só lhe ficou, na amarga e última cantiga, 
    "Esse estribilho: "Nunca mais". 

    Segunda vez nesse momento 
    Sorriu-me o triste pensamento; 
    Vou sentar-me defronte ao corvo magro e rudo; 
    E, mergulhando no veludo 
    Da poltrona que eu mesmo ali trouxera, 
    Achar procuro a lúgubre quimera, 
    A alma, o sentido, o pávido segredo 
    Daquelas sílabas fatais, 
    Entender o que quis dizer a ave do medo 
    Grasnando a frase: "Nunca mais". 

    Assim pôsto, devaneando, 
    Meditando, conjeturando, 
    Não lhe falava mais; mas, se lhe não falava, 
    Sentia o olhar que me abrasava. 
    Conjeturando fui, tranqüilo, a gosto, 
    Com a cabeça no macio encosto 
    Onde os raios da Lâmpada caíam, 
    Onde as tranças angelicais 
    De outra cabeça outrora ali se desparziam 
    E agora não se esparzem mais. 

    Supus então que o ar, mais denso, 
    Todo se enchia de um incenso, 
    Obra de serafins que, pelo chão roçando 
    Do quarto, estavam meneando 
    Um ligeiro turíbulo invisível: 
    E eu exclamei então: "Um Deus sensível 
    "Manda repouso à dor que te devora 
    "Destas saudades imortais. 
    "Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora". 
    E o corvo disse: "Nunca mais". 

    "Profeta, ou o que quer que sejas! 
    "Ave ou demônio que negrejas! 
    "Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno 
    "Onde reside o mal eterno, 
    "Ou simplesmente náufrago escapado 
    "Venhas do temporal que te há lançado 
    "Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo 
    "Tem os seus lares triunfais, 
    "Dize-me: existe acaso um bálsamo no mundo?" 
    E o corvo disse: "Nunca mais". 

    "Profeta, ou o que quer que sejas! 
    "Ave ou demônio que negrejas! 
    "Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende! 
    "Por esse céu que além se estende, 
    "Pelo Deus que ambos adoramos, fala, 
    "Dize a esta alma se é dado inda escutá-la 
    "No Éden celeste a virgem que ela chora 
    "Nestes retiros sepulcrais, 
    "Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!" 
    E o corvo disse: "Nunca mais!" 

    "Ave ou demônio que negrejas! 
    "Profeta, ou o que quer que sejas! 
    "Cessa, ai, cessa! (clamei, levantando-me) cessa! 
    "Regressando ao temporal, regressa 
    "À tua noite, deixa-me comigo... 
    "Vai-te, não fique no meu casto abrigo 
    "Pluma que lembre essa mentira tua. 
    "Tira-me ao peito essas fatais 
    "Garras que abrindo vão a minha dor já crua" 
    E o corvo disse: "Nunca mais". 

    E o corvo aí fica; ei-lo trepado 
    No branco mármore lavrado 
    Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho. 
    Parece, ao ver-lhe o duro cenho, 
    Um demônio sonhando. A luz caída 
    Do lampião sobre a ave aborrecida 
    No chão espraia a triste sombra; e fora 
    Daquelas linhas funerais 
    Que flutuam no chão, a minha alma que chora 
    Não sai mais, nunca, nunca mais!
     
    Edgar Allan poe


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    Re: Poemas do vento da morte:O corvo

    Mensagem por kendron em Sex Nov 22, 2013 2:43 pm

    obrigado james,eu queria ler esse poema a um bom tempo,so que havia me esquecido o nome dele


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    Re: Poemas do vento da morte:O corvo

    Mensagem por James L Holig em Sab Nov 23, 2013 10:37 pm

    kendron escreveu:obrigado james,eu queria ler esse poema a um bom tempo,so que havia me esquecido o nome dele
     De nada,meu pequeno gato preto


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    Re: Poemas do vento da morte:O corvo

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