A voz em minha cabeça.

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    Azrael Ravnos
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    A voz em minha cabeça.

    Mensagem por Azrael Ravnos em Ter Jun 03, 2014 10:01 pm

    A voz em minha cabeça.

    Desde pequeno eu sempre sonhei em ter minha família, ter uma esposa e filhos. Enquanto as crianças da minha idade se preocupavam apenas em brincar com seus brinquedos, pique-esconde, pega-pega e qualquer outra brincadeira típica da infância, eu gostava de ficar escrevendo em meus cadernos, como eu sonhava em ter uma família feliz e como devia ser legal ser um adulto, com emprego e responsabilidades, com uma esposa para apoiar e filhos para sustentar, como seria bom sempre ter alguém ao lado para dormir toda noite.
    Eu sempre quis crescer, eu não me sentia bem sendo criança, eu queria trabalhar, queria ter uma família, eu precisava ter uma família, mas não a dos meus pais, a minha.
    Os anos foram passando e isso nunca saia de minha cabeça, os diários e cadernos, continuavam sendo preenchidos com histórias sobre como seria perfeita minha família, relatos criados em minha mente de como seriam felizes os passeios no parque e como seriam divertidos os almoços de fim de semana, até mesmo como seriam as discussões com minha esposa, eu precisava da minha família.
    Então, com 16 anos, eu arrumei minha primeira namorada, o nome dela era Sofia, ela tinha 19 anos, era loira e sua pele era branca, seus olhos verdes eram hipnotizantes. Cara... Eu me apaixonei perdidamente por ela, eu entreguei meu corpo e minha alma a ela, pra mim ela seria minha esposa, eu teria filhos com ela, eu a amei, porém...
    Ela teve que fazer aquilo, ela tinha que ter me traído... Eu suspeitava, mas não queria acreditar e então eu a segui naquela segunda-feira chuvosa, ela disse que teria que sair mais cedo do jantar que estávamos tendo na casa de meus pais, pois estava com cólica. Então, ela terminou de comer, pegou a moto e saiu. Mas, eu suspeitei, pois, ela começou a sentir as tais cólicas, logo após de uma mensagem chegar em seu celular, que ela tentou ler escondido por debaixo da mesa, mas eu não sou idiota.
    Logo após ela sair, eu pedi para minha mãe deixar eu usar seu carro, disse para ela que estava preocupado com Sofia e que seguiria ela até em casa, para garantir que nada acontecesse. Eu não diria que estava suspeitando de uma traição, minha mãe adorava ela...
    Minha mãe então permitiu que eu pegasse o carro e disse para que eu tivesse cuidado, eu então balancei a cabeça em concordância, dei-a um beijo no rosto e disse que voltava logo.
    Eu então fui para a cozinha, peguei a maior faca que achei, sem fazer barulho e saí pela porta de trás, então entrei no carro e saí, saí rápido, pois queria achar Sofia, por sorte ela tinha parado na loja de conveniência do posto, provavelmente pra comprar cigarro e eu peguei-a ainda saindo da loja e subindo na moto, eu fui seguindo-a meio de longe, pois ela reconheceria o carro. Mantive esse padrão por alguns minutos, até que... Sofia virou uma rua que saia do caminho de sua casa, ela então foi seguindo várias ruas, e parou a moto na frente do armazém, onde encontrou um homem... Ele tinha cabelos longos e loiros, usava uma jaqueta de couro e tinha aspecto de marrento... A filha da puta realmente estava me traindo, o homem rapidamente pegou o capacete que Sofia lhe entregara e subiu na moto.
    Eu nesse momento dei um soco com fúria no painel do carro, mas mantive o controle, eu queria pega-los no ato... Sofia ligou a moto e saiu em maior velocidade do que costumava andar, aparentemente, ela estava assustada e com medo de que alguém descobrisse sua pequena “fugida”.
    Mal sabia ela que além de desconfiar, eu tinha a certeza, segui os dois até a casa dela, eles entraram na casa, eu esperei uns minutos pra entrar, não achei que eles fossem demorar muito, Sofia tinha deixado a moto para fora...
    Depois de cinco minutos, eu então resolvi entrar, saí do carro que tinha deixado na esquina e fui me aproximando da casa, eu estava com as mãos nos bolsos do casaco e em minha mão direita estava a faca, que se escondia metade no fundo bolso e a outra metade, entre meu braço e meu tórax.
    Cheguei na porta da casa e girei a maçaneta, Sofia nem ao menos tinha trancado a porta, abri a porta devagar, sem fazer barulho e fui andando lentamente... Eu podia ouvir os barulhos dos dois fodendo... A desgraçada realmente nunca me amou e estava me traindo!
    Eu senti uma fúria enorme tomando conta de meu corpo, então fui me esgueirando, junto à parede, dei uma olhada meio escondido por de trás da parede, lá estavam os dois no sofá, aquele desgraçado comendo a vadia que eu tinha jurado amor!
    Nesse momento eu pude ouvir uma voz na minha mente, dizendo para matar os dois, eu realmente os mataria, mas apenas o cara seria morto na hora, eu tinha planos melhores para a vadia da Sofia.
    Eu fui andando bem devagar e meio abaixado e tentando controlar a minha respiração que ofegava de tanto ódio, na hora que cheguei perto do sofá, dei um golpe certeiro na nuca do filho da puta. Hahaha’
    Eu interrompi essa foda dos dois da melhor maneira possível, eu senti o sangue quente desse desgraçado espirrar em meu rosto e então logo passei pra frente do sofá, tirando o corpo dele e ficando face a face com Sofia, que queria gritar, mas não conseguia, estava com medo demais.
    Eu então disse:
     - Olá, Sofia. Surpresa em me ver, sua vadia?!
    Ela gaguejava e não falava nada, estava paralisada de medo, apenas vi suas pupilas verdes ficando menores enquanto seus olhos arregalavam-se.
    Eu olhei pra ela, bem no fundo dos olhos e fui me aproximando... Eu então coloquei a boca bem do lado de seu ouvido, como costumava fazer para dizê-la que a amava e então disse:
     - Você vai morrer agora, sua vadia.
    Ela só conseguiu dizer, de forma gaguejante:
     - D-De-Desculpe-me.
    Eu então, peguei a faca e golpeei-a na barriga, porém não muito fundo, eu queria que isso durasse. A vadia soltou um grito... Eu teria que ser mais rápido... Usei a faca para rasgar uma tira de pano da cobertura do sofá enquanto ela chorava e segurava o ferimento em posição fetal, eu amarrei sua boca.
    Eu então comecei a passar a faca lentamente, várias e várias vezes por seu corpo, e eu ria feito um maníaco, eu sabia que tinha que sair logo dali, alguém deve ter ouvido o grito, mas eu não conseguia parar. Até que a voz em minha mente gritou:
     - MATE-A LOGO SEU FILHO DA PUTA, A POLÍCIA CHEGARÁ!
    Eu então a golpeei no pescoço olhei uma última vez nos olhos e disse:
     - Eu te amei sua vadia.
    Então eu saí rapidamente da casa e corri até o carro, eu precisava sair dali e estava coberto do sangue de Sofia, sangue quente, com o melhor gosto que eu já tinha provado...
    Eu não poderia ir para casa agora, teria que esperar meus pais dormirem, eu não poderia entrar com essas roupas sujas de sangue. Eu então fiquei andando com o carro durante umas três horas, até que voltei para casa. Eles estavam dormindo.
    Eu entrei com o carro e chequei para ver se tinha algum resquício de meu pequeno crime, mas, incrivelmente... Não tinha nem mesmo uma misera gota de sangue. A voz em minha cabeça então disse:
     - Eles não vão te pegar, somos mais inteligentes, agora apenas vá se limpar, livre-se dessas roupas e depois vá dormir.
    Eu então obedeci e fiz exatamente isso. No outro dia acordei e só a vi manchete de TV... A polícia acreditava que o homem usou a faca pra matar Sofia e depois se matar. Eu não percebi, mas, eu estava usando luvas. Foi nesse momento em que a voz disse:
     - Eu cuidei desses detalhes sem que você percebesse, te fiz vestir suas luvas de couro e coloquei a faca na mão do cara antes de sairmos... A polícia não nos pegará...
    Eu então sorri e me senti satisfeito por isso, mas, estava triste, pois agora estava novamente longe de conseguir minha família... Alguns anos se passaram e eu ainda ansiava pelo dia que eu teria minha família, quanto ao incidente com Sofia, ninguém nunca suspeitou de mim, meus pais ainda pensam que ela foi atacada depois que eu supostamente tinha deixado a casa dela, pobres velhos inocentes...
    Eu agora tenho 23 anos, tenho minha casa e minhas coisas, eu trabalho como escriturário de uma empresa de refrigeração, ganho bem e a voz nunca mais falou comigo...
    Porém, ainda não tenho a mulher perfeita, para começar minha família e isso me aflige muito.  Mas... Hoje, quando eu estava no mercado após sair do serviço, eu conheci uma mulher... Ela esbarrou em mim e deixou o saco de pães cair, eu envergonhado abaixei para ajuda-la, ela era linda... Cabelos negros, olhos azuis e pele muito, muito branca. Seu nome é Margareth, 25 anos. Ficamos conversando um tempo após eu ajuda-la a pegar os pães e então ficamos conversando enquanto pegávamos a compras que precisávamos, passamos no mesmo caixa e antes de irmos embora, pedi seu número de celular e ela passou.
    Eu comecei uma conversa pelo Whats e então ela respondeu prontamente demonstrando interesse, estamos conversando por horas e horas, mas agora eu preciso ir dormir.
    Já faz uma semana que eu e Margareth estamos nos falando, acho que está na hora de chama-la para um encontro... Ela é a única mulher depois de Sofia que me faz cogitar a possibilidade de apaixonar-me, isso é bom. Apenas espero que ela não erre, assim como Sofia...
    O Encontro foi ótimo, resumindo, saímos, bebemos, ouvimos músicas e no fim da noite, quando chamei Margareth para vir pra minha casa, ela gentilmente negou, mas me deu o que se pode dizer que foi o melhor beijo de minha vida...
    Dois meses que estamos saindo e eu acho que estou apaixonado por Margareth... Comprei alianças e pedi-la-ei em namoro hoje.
    Margareth aceitou meu pedido, eu estou muito feliz... Essa noite foi ótima, eu acho que finalmente encontrei a mulher perfeita.
    Dois anos desde que e eu e Margareth nos conhecemos, nos casamos duas semanas atrás, tudo corre bem e eu não tenho mais escrito muito, justamente por isso... Porque estou finalmente vivendo o que sempre sonhei, eu amo Margareth, quero ter filhos com ela e ter a minha família perfeita...
    Olá, velho diário... Faz tempo que eu não escrevo, não é? Uns três anos... Bom, preciso contar a maior novidade de todas, que para mim, é a mais relevante. Essa novidade chama-se Julia, é uma linda garotinha que tem a aparência de Margareth, porém, invés dos olhos azuis, tem meus olhos castanho-escuros, estou muito feliz, muito feliz mesmo. Até mais.
    Julia hoje completa seis anos, eu e Margareth fizemos uma festa para ela e eu não posso descrever como tudo foi bom, o sorriso de Julia... É algo que realmente me deixa radiante... Eu amo minha família. Bom, irei deitar-me, até mais, velho amigo.
     - Kevin... Kevin... Não acorde, não precisa se levantar. Eu sei que faz tempo que não falo com você, desde a morte daquela vadia, mas, apenas ouça-me... Você ama sua filha, não ama? Ela te ama também, Kevin, pegue o coração dela para você, Kevin...

     - O que?! Eu não posso fazer isso!

     - Claro que pode Kevin. Mostre para sua filha que você a ama.

     - Eu... Amo... Minha... Família...

     - Isso, Kevin, isso. Pegue o coração dela.

    Eu acordei agora no quarto de Julia e só me lembro de um sonho bizarro em que a voz da minha cabeça volta para falar comigo, depois de tantos anos... O QUE?! Julia! JULIA! NÃO!
    Por que minhas mãos estão cheias de sangue?! MINHA FILHA ESTÁ MORTA!
     - Kevin, você provou que a ama, poupando-a desse mundo horrível... Agora você tem o coração dela, Kevin.
     - Eu provei que a amo?
     - Sim, Kevin, provou...
     - Onde está Margareth?
     - Na sala, assustada, ligando para a polícia... Ela está duvidando do seu amor, Kevin. Ela não quer fazer isso, mas ela faz, ela está errando... Acabe com o sofrimento dela também, Kevin.
     - Cer- Certo...
    Vou descer as escadas e encontra-la.
    Margareth, meu amor...  Eu sei que você não faz isso por querer, eu sei que também me ama, venha me dê seu coração também.
     - Não Kevin, nãooo, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!
    - Estão junto a você, Kevin. Agora você tem o coração das duas para sempre... Junte-se a elas antes que a polícia chegue, Kevin...
    Eu acabarei... Eu amo a minha família... Eu sei que você não queria ter ligado para a polícia, Margareth, eu sei que você não quis fazer isso, mas estaremos juntos agora, eu, você e a Julia, estaremos juntos para sempre, assim que essa faca entrar em meu coração, eu encontrarei vocês duas e estaremos juntos para sempre. Eu amo minha família e sei que vocês me amam, eu tenho seus corações e agora... Dou-lhes o meu.

     Se você preferir, também pode ouvir essa creepy narrada, aqui:

      Data/hora atual: Qua Maio 24, 2017 7:24 pm